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Dê-me lá o troco em rebuçados!Por Pedro Estadão
Barreiro

, no fim das contas: acabam-se os subsídios de insularidade e aumenta o IVA e tal e a malta faz de conta que o offshore da Madeira não existe. E depois colocam o equivalente à população de Almada (mas com um terço do rendimento per capita) a pagar dois mil milhões de patacos como quem faz de conta que não tem trocos para poder continuar a vender os rebuçados.

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Dê-me lá o troco em rebuçados! Por Pedro Estadão Barreiro

Por Jornal Rostos

Quem está de fora não racha lenha, é o que se dizia antes de terem inventado a internet e outros instrumentos diabólicos como o ipad e o carro indiano a ar comprimido. A sabedoria popular vai sendo esquecida porque toda a gente pensa que continua a participar só porque manda umas patacoadas no meio de comunicação que lhes está mais a jeito. É assim que me sinto hoje: sou uma verdadeira CGTP no que toca ao acordo que alguém fez com a Região Autónoma da Madeira. Não participei, mas não faz mal, portque já estão habituados a que eu não participe dessas coisas. Mas, (facto curioso da vida), continuam a contar que eu pague e não refile, sabem que que se eu for dar uns berros para o Terreiro do Paço é só fumaça. Os cães ladram e a caravana passa. O povo é sereno.

Lá vão mais mil e oitocentos milhões de patacos pela janela do Alberto João a dentro e toda a gente fica convencida que é normal, o fulano diz que teve de se vergar e fazer concessões e ninguém percebe que o que aconteceu foi a mais simples e pura das aldrabices: passámos a ser colectivamente responsáveis pelos trinta e tantos anos de disparates do Vice-Rei do bananal e assumimos o empréstimo que irá servir para pagar a dívida. Ainda assim, grita-se: aqui d´el Rei, que quem vai pagar pelo transvio e excesso de prodigalismo que o Governo Regional teve no último trinténio vão ser os Madeirenses e não a República.

O que é triste, no final das contas, é que, ao fim e ao cabo, Madeirenses somos todos nós, porque não me parece que a falada ilha tenha migrado para meio das Caraíbas e, finalmente, num golpe histórico triunfante (que tanto eu como o Dr. Alberto João sonhámos), e se tenha tornado independente desta República. Quem vai pagar os tais patacos, voltaremos a ser todos nós. Ninguém se põe a jeito de assumir que o empréstimo colateral assumido pela Madeira é só para fingir que Portugal não precisa de tanto dinheiro para pagar o que deve como o que tem sido anunciado. Se a Grécia tivesse um Alberto João em cada uma das suas mil e tal ilhas, até parecia que as suas dívidas eram trocos.

Vem-me à memória, no meio de tudo isto, tempos idos em que a única sala de cinema do Barreiro enchia sempre e o pessoal usava os intervalos para ir buscar umas pipocas e beber café; (nunca percebi se o bar do cinema vazava porque o filme ia recomeçar ou se o filme recomeçava porque o bar tinha vazado). Mas houve uma coisa que percebi e muito bem: o pessoal do bar funcionava como a Região Autónoma da Madeira, fingiam que não tinham trocos para despachar os frascos de rebuçados que ninguém queria comer e o pessoal fingia que acreditava e dizia: - Dê-me lá o troco em rebuçados (enquanto esboçava um sorriso amarelo).

E, no fim das contas: acabam-se os subsídios de insularidade e aumenta o IVA e tal e a malta faz de conta que o offshore da Madeira não existe. E depois colocam o equivalente à população de Almada (mas com um terço do rendimento per capita) a pagar dois mil milhões de patacos como quem faz de conta que não tem trocos para poder continuar a vender os rebuçados.

O Diabo seja cego, surdo e mudo, mas, ou eu muito me engano ou acabámos de nos lixar e ainda vamos ter que arrotar com o dito pastel para tapar o buraco e a malta do costume vai-se enfiar no tax-free e rir que nem uns palpavos à conta aqui do otário.

E nós, como somos serenos e bons rapazes, vamos pagar tudo e não bufamos, aliás, ficamos com um sorriso nos lábios, porque no final das contas, vão acabar por nos dar o troco em rebuçados.

Ui... e que docinhos que eles são. Para mim, podem ser do Dr, Bayard que até fazem bem à garganta e tudo.

Barreiro, 27 de Janeiro de 2012
Pedro Estadão

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