O Recomeço da Época FutebolísticaPor Manuela Fonseca
Barreiro
Há uns dias, fui ver a estreia do Barreirense ao campo Eng.º Carlos Salema do Clube Oriental de Lisboa, em jogo particular – não ia àquela simpática agremiação há quantos anos?!

Por Jornal Rostos
Desde miúda, bem me aborrece a fase da ausência de futebol – nem a Natação, o Ciclismo, a paixão pela Literatura, o Teatro, outras Artes, o Jornalismo, me levam a uma espécie de esquecimento deste jogo, metáfora de vida identificada por Albert Camus, ele próprio praticante da modalidade.
Sinceramente, não me interessa, durante o defeso, se este ou o outro vai para aquele clube, se sai A e entram B e C ou se, por causa disso, o treinador tem que experimentar mudanças tácticas; pois que as faça, como gestor de grupo e cabeça de uma equipa formadora.
Com o tempo de duração das transferências, na primeira fase até ao fim de Agosto, deixei mesmo de comprar as revistas que apresentam as equipas, em informações que logo ficam desactualizadas.
Há uns dias, fui ver a estreia do Barreirense ao campo Eng.º Carlos Salema do Clube Oriental de Lisboa, em jogo particular – não ia àquela simpática agremiação há quantos anos?!
(Como ficaria em paz de espírito se o Barreirense ainda tivesse o “Manuel do Melo” que não pude deixar de evocar?
Talvez um dia, com melhores tempos e o Campo da Verderena já alindado, me habitue a ele.)
Fomos para a capital: eu, protegida do calor que, por acaso, não me apoquentou, o meu filho Rui Sérgio, o Paulo Pardana, amigo de décadas. Ele foi o organizador do passeio e, como é hábito, exímio motorista.
Falta-me trazer aqui o mais velho do grupo, Quim João, numa das curiosas situações a que nos tem habituado. Desta vez, ei-la: saído um dia mais cedo do hospital para acompanhar o Barreirense, após delicada cirurgia, o filho, Enfermeiro, cuidaria do pai, caso (felizmente não) necessário. Mas ele tinha que ir ao jogo!
À porta de casa, na Quinta da Lomba, a sua mulher estava muito incomodada por ele não ficar quieto. Ora, num repente, o Paulo Pardana resolveu dizer, muito sério, à senhora: “O seu marido vai bem acompanhado, muito bem! Nunca ouviu falar da Dr.ª Manuela Fonseca? Vai aí atrás. Olhe, assim não acontece nada ao Quim João!”
(Que graça achei ao quiproquó e vergonha senti por não ter referido que a minha actividade foi / é outra. Ainda quis desfazê-los mas foi-me dito, baixinho, que assim seria melhor para todos. Lá ficou ela descansada…)
Divertimo-nos durante todo o tempo: comemos bifanas, uns, coiratos, outros, num local onde havia mesas e cadeiras. Numa foto dos lisboetas a cuja legenda não consegui aceder, uma equipa dos anos cinquenta, parecendo-me que estava lá o grande Edmundo, guarda-redes que, com magníficas defesas, muitas tristezas deu aos barreirenses. Se tivesse jogado num dos “grandes”, teria brilhado na Selecção Nacional. Mas era complicado atingi-la; então como hoje, jogadores com lugar reservado.
Excepto o resultado (“levámos” 3-0 da equipa do escalão superior), foi tudo interessante, inclusive o convívio com pessoas de lá, conhecidas do Pardana, com as quais recordámos origens sociais idênticas, dos Clubes e nossas.
Quantas dificuldades, logo em pequenos, amenizadas por belos jogos na (miragem de hoje) Primeira Divisão?!
(Haverá mais, um dia?)
Tivemos, há poucas horas, a gentileza, retribuída a Lisboa, através do resultado, na Verderena, igual ao da semana passada, na inversa, sobre o Clube Futebol Benfica.
(Daqui por cem anos, quem se lembrará de históricos, como o trio aqui falado?)
Manuela Fonseca *
*Colunista do Jornal Rostos













