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As Lições de Mário SoaresPor Manuela Fonseca
Barreiro

Como a Luta Continua, releio Lenine, Álvaro Cunhal, Guevara, Pintassilgo, Mário Soares e estou sempre disponível para aprender com eles e alguns outros.
Quanto ao Doutor Mário Soares, espero e desejo “que nunca” lhe “doam as mãos”.

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As Lições de Mário Soares Por Manuela Fonseca Barreiro

Por Jornal Rostos

No estertor da ditadura, dois homens de esquerda, intelectuais, escritores, Armindo Rodrigues e Mário Castrim tiveram um problema que foi dirimido em Tribunal. José Saramago tomou o partido do segundo e publicou, num dos jornais da época, um texto com o título – cito de cor – “Bons-dias, Mário. E que nunca te doam as mãos”.
Tal peça está na minha memória, sempre que oiço ou vejo o Doutor Mário Soares nas Lições nos vários órgãos de Comunicação Social.
Esclareço que não pertenço ao Partido Socialista (sou membro do PCP) de que o referido é fundador, nunca votei em tal Partido, embora o tenha feito, com gosto, duas vezes em Mário Soares para a função presidencial. Na primeira, ainda sem filiação partidária, tinha dado a militância inicial à campanha da Engenheira Maria de Lourdes Pintasilgo. Em seguida, chegada a imperiosa necessidade da outra candidatura e ajudei, humildemente, a levar Mário Soares à vitória. Antes dela, o inesquecível Presidente teve uma apoteótica recepção no Barreiro.

Curiosamente, vi Mário Soares, já eleito, em Lisboa, um dia ou dois após a vitória. Não me contive: fui ter com ele, fiz-lhe um comentário a esse brilhante momento da vida política portuguesa e dei-lhe um beijinho.
Agora que um grupo de gente estranha, sem preparação política, moral, ou qualquer outra, ganhou o último sufrágio, através de mentiras e falsas promessas, faz sofrer os Portugueses, quase todos, e enterra um País histórico, as suas culturas, tradições, educação, saúde, solidariedade, finanças e economia, o Doutor Mário Soares não se conforma.
Estudioso, sabedor, solidário e inconformado, ensina-nos o Mestre o que de errado estes desqualificados nos fazem, em cada dia um bocado mais de mal, num Portugal à beira da desgraça, ou já nela, enquanto os figurantes (quero evitar figurões e, sinceramente, acho que não passam do que referi) que vemos nos canais televisivos vendem mais um bocado do País. Dos Portugueses. Aos que, logo que, lá fora, lhes abrem os olhos e mostram os dentes, os deixam, cobardes, em pânico, a continuar a vender-nos a retalho.

Não, este pesadelo não pode acontecer (curiosamente, devo ter sofrido um acto falhado e tinha trocado pode por pide, que agora corrijo)! Estes inqualificáveis governantes “Não Passarão!”
Os vários grupos da Sociedade Portuguesa têm que despachar esta gente. Recorramos à nossa paciência, aos nossos conhecimentos, ao nosso amor a outrem e à Pátria e proporcionemos o regresso das esperanças de Abril, materializadas no que já tivemos. E vamos reconstruí-las, em desígnios que já fizemos realidade e nos quais voltaremos a pegar, livres destes medíocres (para não os classificar de forma mais acintosa) que parecem a encarnação de uma peça de terror das mais vulgares de qualquer série de terceira categoria.
Como a Luta Continua, releio Lenine, Álvaro Cunhal, Guevara, Pintassilgo, Mário Soares e estou sempre disponível para aprender com eles e alguns outros.
Quanto ao Doutor Mário Soares, espero e desejo “que nunca” lhe “doam as mãos”.

Manuela Fonseca *
* Colunista do Jornal Rostos

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