E(U)NERGÚMENO - BARREIROPor Kira

Por Jornal Rostos
Sou um paupérrimo portuguesito que anda para aqui cheio de mazelas, não posso levantar-me da cama por causa da hérnia discal que me ataca fortemente, tomando comprimidos para a depressão, para o colesterol, para a hipertensão e outros males de dinheiro, com a distração de ver televisão vai para quase 24 horas por dia.
Vibrei com a greve geral e com a paciência da polícia a levar pedradas n os capacetes e escudos à prova de bala. Tanta gente, meu Deus! Pareceu-me até que estavam lá, frente à Casa dos Segredos ,vulgo Assembleia da República, para cima de 10 milhões de pessoas ou quase. Não é exagero e só o é se descontarmos os senhores que chupam o País à boa maneira de sempre estando bem na vida, comendo e bebendo, passeando e mandando passear os outros, os pobres, os reformados, os desempregados, os falidos e insolventes, a maioria.
Gosto muito pouco de fardas e de quem as usa para, armados em defensores da ordem, ou das ordens que recebem dos seus donos, digo, patrão que lhes paga. Um senhor chamado Governo. Fardas só dos Bombeiros.
Mas deixem-me dar a minha opinião, totalmente contrária às que, depois da carga policial, condenaram os “energúmenos ” pelo arremesso de pedras, garrafas e outros dejetos(?)tenho visto e ouvido nas televisões. A minha opinião é muito simples e breve.
Quem atirou a primeira pedra?
Respondo. Foi o Governo de Passos Coelho que nos atirou a primeira, a segunda e a terceira e continua a atirar. As pedras da fome, do desemprego, das baixas de pensões aos velhos e reformados, à educação e a toda a espécie de direitos adquiridos desde o 25 de Abril 74.
Então eu, paupérrimo portuguesito, cheio de mazelas por anos de trabalho, doente e acamado a maior parte do tempo, de reforma mais baixa que a renda da casa, levo com as “pedras da fome” e vou responder com cravos aos guardas da Casa dos Segredos ? Só se eu fosse energúmeno. E sou.
Com muito prazer e um agradecimento aos que me leram peço-lhes perdão por qualquer coisita que lhes caia menos bem neste pequenino texto.
Desabafei.
Kira
novembro













