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Em Dia de HomenagemPor Manuela Fonseca
Barreiro

Olho para estas paredes, mesmo se remodeladas, e recordo o primeiro ano lectivo deste estabelecimento de ensino, 1979-80, o entusiasmo de um grupo de professores, mormente jovens, como eu, orgulhosos da profissão docente, dos seus colegas, alunos, e outros profissionais da ESSA, na primeira Escola Secundária do Barreiro a ser feita depois das esperanças de Abril – não, seus usurpadores (isto para “não dizer” ladrões), ainda não as roubaram – nem roubarão todas!

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Em Dia de Homenagem Por Manuela Fonseca Barreiro

Por Jornal Rostos

Em Dia de Homenagem

Caríssimos Amigos

Eis um poema e o seu autor:
“DE CONSOADA
Que vos hei de mandar de Caparica
De que vós, Prima, não façais esgares?
Porque de graças e benções aos pares,
Disso, graças a Deus, sois vós bem rica.
Mel e açúcar? São cousas de botica.
Coscorões? São piores que folares.
Perus? Não, que são pássaros vulgares.
Porcos? Só de o dizer nojo me fica.
Mandara-vos o sol, se desta cova
Mo deixaram tomar; mas é fechada,
E inda o é mais para mi a rua nova.
Pois, se há de ser de nada a consoada,
Mandar-vos-ei, sequer, Prima, esta trova,
Que o mesmo vem a ser que não ser nada
D. Francisco Manuel de Melo (1) ”

Como não sei fazer trovas, um curto apontamento:
Agradeço a vossa presença e esta homenagem, até há bem poucos dias ignorada – certamente por isso, o meu marido, se estava ao pé de mim, ia para outra divisão, em misteriosos diálogos com a querida Carla Marina…
Carla Marina Santos, filha de um grande amigo do meu pai, o Sr. José Grave dos Santos, modelo de educação, profissionalismo e solidariedade, em cuja livraria e papelaria os, muitos, então, que não sabiam escrever encontravam, nele, a disponibilidade, a título gracioso para os substituir nessa função elementar que Salazar quase ignorava.
Carla Marina Santos: a primeira Amiga fora do conjunto dos miúdos da Rua Dr. António José de Almeida, de onde era a maioria daqueles com quem me dava e brincava e para onde confluíam os outros, o Palácio de Coimbra mesmo ali e as peles de vaca dos familiares talhantes, do Luís Manuel Carvalho (que saudades, “Luisinho” desses estranhos e adaptados escorregas… E, confesso, que vergonha, dos brinquedos que te estragava…).

De facto, fico-vos muito, perenemente, grata pela iniciativa que o querido colega Castilho Pais (não é preciso, o Professor Doutor, pois não, Castilho?) não me referia (repito-o: não me referia), apontando-me, nos nossos diálogos informáticos, que fizesse um esforço para estar disponível no dia de hoje para uma apresentação do meu livro Crónicas Barreirenses: E Outros Escritos, o que me levou a negociação com a minha diligente, tão competente e exigente médica, a ilustre Dr.ª Ana Teresa Xavier.

Médica extraordinária, como o seu Director, Dr. Jorge Espírito Santo e os outros facultativos, apoiada por um corpo de Enfermagem de alto valor, bem como todos os profissionais com quem privo na Unidade Funcional de Oncologia do Centro Hospitalar Barreiro Montijo e do Centro, em geral é a (peço desculpa pelas metáforas desportivas a seguir; até estava admirada por elas ainda não terem chegado) selecionadora da minha equipa de vida que tem na família e nos familiares e amigos, o Manel como treinador de campo, o suporte da sua maravilhosa e abnegada actividade.
Olho para estas paredes, mesmo se remodeladas, e recordo o primeiro ano lectivo deste estabelecimento de ensino, 1979-80, o entusiasmo de um grupo de professores, mormente jovens, como eu, orgulhosos da profissão docente, dos seus colegas, alunos, e outros profissionais da ESSA, na primeira Escola Secundária do Barreiro a ser feita depois das esperanças de Abril – não, seus usurpadores (isto para “não dizer” ladrões), ainda não as roubaram – nem roubarão todas!

Vocês não têm sangue do povo e nós, os de então, os de agora, sim! Por isso, com licença, “tirem o cavalinho da chuva”, tão depressa quanto possível, e vão-se embora! Deixem os alunos, os professores, os funcionários públicos, outros trabalhadores, todos e cada um deles fartos de vocês, uma praga que, subitamente, nos chegou!
Volto àqueles tempos, heróicos, de sonhos, de crença nos alunos, nos seus pais, na comunidade educativa, em nós, no País, na Democracia que iniciávamos, cheios de esperanças para referir o orgulho que a Escola Secundária de Santo André foi e é para nós, berço de sonhos, de frustrações, também, mas, sobretudo, de frutuosas realizações aqui e por aí, cidadãos do Mundo (obrigada, Sábio Sócrates) que somos.

Não vou alongar-me: no reconhecimento a todos vós, na impossibilidade de pronunciar cada um dos vossos e outros nomes, os agradecimentos àqueles que, nesta casa de cultura tanto me ensinaram, simbolizados na memória de Raul Fernando de Carvalho e Gonçalo Rego, depois do que tanto já tinham feito por mim Mestres Barbado e Fráguas, no Externato Moderno no Barreiro, local onde tanto me ensinaram.
E na Direcção desta escola, cujos membros, pela azáfama continuada, me lembram os Capitães de Abril, esses Capitães sem Sono que sempre honraremos!
Quanto à associação da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, minha Tia, a este evento, nele me revejo desde os seus tempos anteriores, desde a minha infância, ela já uma senhora.
Muito obrigada aos presentes e aos ausentes que não podem acompanhar-me/-nos, presencialmente.

Viva a Democracia!
Viva a Escola Secundária de Santo André!
Viva a Cooperativa Cultural Popular Barreirense!
Vivam todos os que se associaram a esta homenagem!
Viva o Barreiro, o Nosso Maior Professor!
Vivamos nós!

Manuela Fonseca,
18/1/2013.

(2), (3)

Referências

(1) http://www.portoeditora.pt/espacoprofessor/poemas-portugueses-consoada/,consultado em 17/1/2013.
(2) O Tio Futebol Clube Barreirense também esteve no evento com o seu carinho, através do Dr. José Paulo Rodrigues, mas eu ignorava-o ao elaborar a peça, tantas foram as surpresas.
(3) Já depois da Homenagem, li as palavras de apreço da minha Mestra, a Professora Doutora Maria Alzira Seixo, emérita Barreirense, que não pôde estar presente na cerimónia.

Nota - Este texto que editamos, de Manuela Fonseca, foi a sua intervenção no decorrer da homenagem que lhe foi prestada no passado dia 18 de Janeiro na Escola Secundária de Santo André, uma iniciativa daquela escola e da Cooperativa Cultural Popular Barreirense.

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