«Jornal do Barreiro»Por Manuela Fonseca

Por Jornal Rostos
Quase da minha idade, acompanhou-me, com as suas folhas, até ao dia vinte e cinco do passado mês (1). Claro que também o lia, agora, na versão informática mas a mesma não me dispensava o papel; antes complementava o histórico da publicação. Folhear o jornal, sublinhá-lo era hábito de quase seis décadas, algo que ganhei / ganhámos com os anos e custa-me / -nos o desaparecimento, abrupto.
Como tinha orgulho, muito nova, ao ler os textos do padrinho Samuel Almeida, também da profusa divulgação que o semanário dava ao Futebol Clube Barreirense e às nossas outras agremiações associativas! E o que se passava nas escolas não era esquecido nas brilhantes peças de Alfredo Zarcos, o Mestre de que, sem ofensa para outrem, melhor lembro.
A tinta do “J. B.” fazia parte da minha geração, de várias outras; a expectativa da compra ou, recentemente, da chegada através do correio era tão acarinhada por mim que até tentava prever o que, em breve, leria.
“Mudam-se os tempos” (2), ilustre Camões, mas não as vontades de quem deveria alterá-los para que a população portuguesa tenha melhor qualidade de vida e prossiga o caminho de dois dos “DD” (Democratizar, Desenvolver) que, há quase quatro décadas, o Movimento dos Capitães nos outorgou e, sofregamente, bebemos.
Os abutres chegaram há uns anos e tentam (se tentam!) destruir-nos Abril, a bela fonte que nos ofereceu alegria e outras coisas lindas – sentimentos, valores morais, sociais. E materiais de que bem precisávamos.
Pretendem mas não conseguirão levar a sua avante, embora, no momento, tal pareça: vergonhosamente para quem tem a maior responsabilidade em relação ao País, são cada vez mais as pessoas que vivem na rua. (Um parolo qualquer, um Tio Patinhas de terceira, a referi-las, com se um dia fosse fazer-lhes companhia, tolo, ele que tem condições financeiras para colaborar com a ida delas para habitações decentes! Não contente, ainda se intrometeu na vida financeira de um filho do povo, competente e amado, Jorge de Jesus.)
A cada hora há mais ameaças de despejos, faltas de trabalho, salários, pensões, alimentação, apoios na saúde, ao passar da idade; a cada hora há mais cercear de direitos sociais, escolares, entre outros, condignos.
Anteontem, desapareceu o emprego, ontem, não havia dinheiro para ir ao Hospital e, ou, comprar medicamentos, receitados na Unidade de Saúde Familiar, hoje não pode pagar-se propinas e livros; a vontade de suicídio e outros horrores concretiza-se, por vezes. Amanhã desaparecem mais jornais em papel, mais empresas; muita gente ficará desapossada de euros e casas; entretanto, os falhos de escrúpulos assobiam para o lado, desejosos da chegada, definitiva, à “República das Bananas”.
(Os trabalhadores do “J. B.” vão continuar a sua meritória actividade? O que vai acontecer-lhes? Muita força para eles!)
O “Jornal do Barreiro” está aflito. Como a Cidade, o País. Quem manda tem a consciência do que está a fazer? Se não, deixe o cargo. Se sim, encontrou “tacho” e é criminoso!
Mandemos esta gente embora! Façamos com o que, democraticamente, como é óbvio (não sejamos como ela!), têm as nossas mãos para Portugal ser um País, o Barreiro uma Cidade, o mais velho órgão de informação da nossa terra lido, calmamente; folheado a bel-prazer, em casa ou no parque!
Só agora me voltam as palavras, depois da recente barbaridade feita ao jornal referido. Que elas continuem a mostrar a maior indignação e o maior desprezo por homúnculos que, paulatinamente, fazem de Portugal uma amálgama de dificuldades! Disso vão arrepender-se quando já não houver remédios que possam tomar para o bom senso!
(Por hoje, tenho dito.)
Manuela Fonseca
Referências
(1) “Jornal do Barreiro – Semanário Regionalista –, Ano 62, (N.º 3200), 25 de Janeiro de 2013, 24 pp..
(2) Luís de Camões, “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” (soneto).













