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Ai, Sabem, Sabem!Por Manuela Fonseca
Barreiro

Pensei: “O salazarismo, detestado pela maioria dos portugueses, pela minha família, – “ofertou-nos” bastantes prisões e dissabores vários – teve, infelizmente, o seu tempo e o seu estilo; os que tentam imitá-lo são, de facto, muito mais reles e fora de moda.”

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Ai, Sabem, Sabem! Por Manuela Fonseca Barreiro

Por Jornal Rostos

Até tem percurso de vida que o prestigia e aos Direitos da Mulher, bem defendidos por ele no Parlamento Europeu; escusava, agora, de fazer figuras tristes, no Palácio de S. Bento – certamente para defender o (des)governo, tão amigo do capital, reverente, obrigado à dita “troika” e adversário da população –, suponho que em sede de Comissão Parlamentar.
Vi as imagens e ouvi-o, num canal televisivo; fiquei perplexa com os disparates que fazia, a esbracejar, e aos gritos, em local tão nobre. Tornava-se, até, perigoso para quem estava ao lado. Pensei para mim própria: – Se o Adamastor existisse e falasse, deveria ser com o este tom de voz, qual rugido! (O homem tê-lo-ia feito para tentar encolher os Portugueses?)
O que vociferava também me surpreendeu (estou a elaborar uma figura de estilo?): o que os populares têm chamado a membros do executivo – escrevi, claro, a palavra anterior com minúscula inicial –, imagine-se, é matéria do foro penal (já se referiu, assim, aos pedófilos, outros predadores sexuais e mais bandidos? Não sei.).
Pensei: “O salazarismo, detestado pela maioria dos portugueses, pela minha família, – “ofertou-nos” bastantes prisões e dissabores vários – teve, infelizmente, o seu tempo e o seu estilo; os que tentam imitá-lo são, de facto, muito mais reles e fora de moda.”
Mais a criatura exprimiu, em “notável” juízo de valor: que quem canta “Grândola, Vila Morena” não sabe o seu poema – claro que isto foi proferido em código linguístico pouco elaborado, o adequado ao dislate.
Lembrei-me do Dr. José Afonso, Ordem da Liberdade na nossa Democracia, Mestre do fim dos anos sessenta no Liceu Nacional de Setúbal, cujas Lições os seus pupilos absorviam – impedido pela maldita polícia política ditatorial, pouco depois, de ali exercer, sabiamente, de estar com a família, os alunos, os amigos, de ver o Sol – e o belo texto da minha amiga Hélida Pais (1), escondido, durante décadas, dos nossos olhos, elaborado numa aula dele, talvez o mais belo acerca do “Zeca” que li, um dos maiores êxitos publicados neste periódico. Processou-o, informaticamente, há poucos anos, muito instada a fazê-lo, visto ter num baú centenas de tecidos literários que pretende deixar, inéditos, à neta.
O referido político, em decadência, saberá que “eles”, contra quem tanto chinfrim fez, “Tanto Barulho para Nada”, aliás, sabem e cantam, maravilhosamente a Nossa Canção / o Nosso Hino “Grândola, Vila Morena”? Ele, que até é, ou foi, intérprete vocal?!
Como muitos amigos do PSD o fizeram, há uma semana, centenas de milhares de pessoas irmanadas, Portugal, em coro de revolta e tristeza pelo que estão a fazer-Lhe; para além das cores partidárias e sindicais, o País quer deixar de ser a republicazinha das bananas, inventada por quem detém o poder.
(Já agora: Bota deverá ler, com urgência, o que a Juventude do seu Partido pretende para os estudantes que abandonam os estudos por não pagamento de propinas devido a dificuldades financeiras: o regresso às instituições de formação.)
Os Portugueses? Ai, sabem, sabem “Grândola”! E o que querem.
(“Chapéus há muitos…”! Que o Mendes ponha o que lhe der mais jeito.)

Referências

(1) “personalidades

Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal
Começar a endireitar este país no sentido da honestidade”, 21/6/2011.
https://www.rostos.pt/cidade-com-rostos/61024-memorias-de-uma-aula-de-zeca-afonso-em-setubal-comecar-a, consultado em 8/3/2013.

Manuela Fonseca

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