Os Chapéus e os ParolosPor Manuela Fonseca
Barreiro

Por Jornal Rostos
No meu último texto, lembrei-me de Vasco Santana na “Canção de Lisboa” e da inimitável exclamação “Chapéus há muitos (…)!” – no serviço público do mais elevado grau, quem nos diria, tantas décadas depois de Abril, a gestão do País virada ao contrário, que Portugal pareceria o recinto de um concurso de quem nele mais dislates faz e diz, situado em posições de topo?!
Investimento, apoio à economia e consequente criação e consolidação de lugares de trabalho, manutenção dos aluguéis de casas pelo preço em que se encontram para os que não podem pagar mais, incentivos ao ensino, educação, investigação, criação de condições decentes para quem agoniza e morre no Serviço Nacional de Saúde à frente de meio mundo parecem escrita em ziguezague que essa gente não lerá.
Será suposto um Governo gerir um país em função dos interesses da população; este fá-lo, obviamente, ao contrário: o povo que aguente, aguente: – nunca será fastidioso repetir a palermice até que quem a proferiu tenha maneiras linguísticas e comunicacionais, no respeito por outrem; sim, aguente as irracionalidades das mais variadas tipologias porque será muito bonzinho e terá o Céu ainda na Terra.
Que os dos chapéus saibam que nem os Portugueses são patetas nem eles valem nada: vão-se embora, fiquem só com os “amigos”, os representantes do feroz capitalismo, tão “bons” como eles, só mesuras e falas mansas, quando se encontram ao pé de tão detestadas pessoas, a quem nos vendem, segundo a segundo. Alguns já andaram por tão longe e nunca se incomodaram connosco e deu-lhes agora algum amor por nós? Mentira: quiseram “tacho”, apanharam-no e os Portugueses que sofram mais e mais.
Pensarão esses parolos à procura de chapéus e barretes: – “Os que lutaram por Abril, os que passaram a mensagem aos descendentes que não comprem medicamentos, comida, roupa, livros. Que não possam ajudar filhos e netos. Que os mais jovens não tenham trabalho, que os estudos que completaram valham zero porque velhos e novos ‘são farinha do mesmo saco’, detestam ditaduras e amam a Liberdade e a Democracia. Pois que fiquem o pior possível; quanto mais quietinhos, menos precisam de comer, ora essa! E, falhos de habitação, vêem as estrelas, lindas, toda a noite.” Pensarão, atrevidos?
Se assim for, o mais natural, tal a malvadez a que nos têm submetido, que infelizes, na ignorância do estado a que chegaram! Nós, os do Povo, cuja maioria sénior nem estudou nem conhece países estrangeiros, já o entendemos há muito tempo – logo depois de terem chegado ao “poleiro”. Aí começaram os disparates: incríveis, infindáveis, confrangedores.
Que nos deixem! Depois, procurem uma boa casa de chapéus e, já agora, uma de vendas, máscaras, objectos que ainda não puseram neste – para eles – Carnaval extemporâneo.
(Podem ir, também, a um estabelecimento de comércio de papagaios com linguajar de pau. E outra, a dos óculos escuros. Haveria mais mas já são suficientes.)
Manuela Fonseca













