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Entradas....de leão!Por Jorge Fagundes
Barreiro

Assim sendo, depois da pompa e circunstância iniciais (na assinatura do protocolo estiveram presentes muitas entidades, entre elas diversos autarcas barreirenses, um representante do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, o embaixador de Angola, o Magnífico Reitor da Universidade de Belas) não deixa de ser muito estranho o silêncio que se abateu sobre este caso.
Será que aos barreirenses não assiste o direito de lhes ser dada uma explicação? Responda quem pode....e deve!

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Entradas....de leão! Por Jorge Fagundes Barreiro

Por Jornal Rostos

Em 19 de Março de 2012 foi celebrado entra a Câmara Municipal do Barreiro, a Universidade angolana de Belas e a empresa Coração Tropical-Formação, Lda., um Protocolo de Cooperação, com a duração de dois anos, tendo por objecto, além de outros, “a criação de condições visando o acolhimento, integração e auxílio ao alojamento de cidadãos angolanos a estudar em Portugal, e, em particular, dos que desenvolvam a sua actividade no concelho do Barreiro e outros concelhos limítrofes, ...”.
Para o efeito era previsto que “o alojamento dos estudantes abrangidos pelo presente protocolo será realizado em instalações no Bairro Operário de Santa Bárbara, ou outro, no território da Quimiparque, ou fora deste, incumbindo à terceira outorgante o pagamento das rendas devidas”.
A assinatura deste Protocolo de Cooperação decorreu no auditório da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, nela estando presentes diversas individualidades.
Segundo o Presidente da Câmara, Carlos Humberto de Carvalho, por alusão a um mundo em constante mudança, este protocolo constituía um “pequeníssimo contributo para construirmos esse mundo, mas também obrigação de promover o desenvolvimento da nossa terra e criar novas condições para a relação entre os estados português e angolano e as respectivas instituições de ensino superior”, explicando, a seguir, que numa primeira fase estava prevista a vinda de 300 estudantes para o concelho, sendo que “a Baía do Tejo está a adaptar as suas instalações. Numa segunda fase, para o mesmo território podemos ir mais longe e chegar aos 500”, medida que se traduzirá “num contributo para o desenvolvimento do Barreiro”. (vd. Jornal Rostos de 22.03.2012).
Na sequência da assinatura deste protocolo, para o Barreiro vieram muitos estudantes angolanos, vinda essa objecto de reportagens em órgãos da imprensa local e nacional, como segue:
1 – “cerca de 240 alunos estão a viver no antigo Bairro Operário da CUF, algo que tem levado não só à recuperação de algumas casas como à sua ocupação. No coração da cidade do Barreiro, o reforço da ligação entre Portugal e Angola parece estar a ganhar força, enquanto este bairro ganha nova vida e se prepara para dar uso à antiga Mess da CUF, e às antigas instalações da Escola Superior de Tecnologia (EST) do Barreiro com uma delegação da Universidade de Belas” (vd. Jornal do Barreiro, de 08.06.2012).
2 – “Bairro Operário renasce com 600 alunos angolanos. As sirenes das fábricas do Barreiro há muito que não passam de arqueologia industrial. E a Torre do Relógio já não faz apressar as rotinas do envelhecido bairro operária de Santa Bárbara. Aos poucos ex-trabalhadores da CUF, que ali vivem, sobejam vagas e solidão. Mas, desde Março, centenas de estudantes angolanos estão a revolucionar a zona e a dar nova vida ao bairro da empresa Baía do Tejo/Quimiparque” (vd. semanário O Sol, de 15.06.2012).
E, na verdade, pela ruas do Barreiro, começaram a ser notados esses estudantes angolanos, simpáticos, muito educados, procurando a sua integração na vida barreirense, desde logo nas relações com os moradores do antigo bairro operário da CUF. (“apesar das dificuldades iniciais de adaptação, os alunos já tratam os antigos moradores por avós e pais” (vd. semanário Sol, de 15.06.2012), bem como nas compras nas nossas lojas, um espaço nas Festas do Barreiro-2012, um animado torneio de futebol no rinque da Avenida da Praia, um notável espectáculo nos “Franceses”.
Porém, de um momento para o outro, os estudantes angolanos deixaram o Barreiro e regressaram à sua Pátria. Dizem que, por cá, apenas ficaram entre 20 a 30, como mestrandos e doutorandos.
Quanto aos que regressaram, na prática quase a totalidade e a expensas próprias, consta que tal se deveu ao incumprimento, por parte da Universidade de Belas, dos acordos efectuados com diversas entidades portuguesas, e, também, a desinteresse do Estado Angolano.
Assim sendo, depois da pompa e circunstância iniciais (na assinatura do protocolo estiveram presentes muitas entidades, entre elas diversos autarcas barreirenses, um representante do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, o embaixador de Angola, o Magnífico Reitor da Universidade de Belas) não deixa de ser muito estranho o silêncio que se abateu sobre este caso.
Será que aos barreirenses não assiste o direito de lhes ser dada uma explicação? Responda quem pode....e deve!

Jorge Fagundes

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