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Sobre o Complexo Desportivo do União Banheirense e o FuturoPor Nuno Miguel Fialho Cavaco
Moita

Os candidatos a autarcas de PS e PSD, no nosso distrito, prometem o céu e a terra, esforçando-se por dar a parecer que nada têm que ver com os seus partidos a nível nacional. Com uma análise minuciosa conseguem detectar o mais pequeno buraco na calçada, a passadeira que não foi pintada, enfim, tudo o que pode afectar a qualidade de vida das populações e que não os implica directamente.

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Sobre o Complexo Desportivo do União Banheirense e o Futuro Por Nuno Miguel Fialho Cavaco Moita

Por Jornal Rostos

Nestas alturas, em vésperas de eleições autárquicas assistimos a um corropio de reuniões, de opiniões, de promessas. Alguns levam 4 anos a acumular energia para que neste período nos possam oferecer o céu na terra. Ele são programas de assistência social, são projectos estruturantes, enfim uma série de coisas que parece que só vão fazer falta no futuro, já que no passado não fizeram ou pelo menos não mereceram atenção destes senhores.

Os candidatos a autarcas de PS e PSD, no nosso distrito, prometem o céu e a terra, esforçando-se por dar a parecer que nada têm que ver com os seus partidos a nível nacional. Com uma análise minuciosa conseguem detectar o mais pequeno buraco na calçada, a passadeira que não foi pintada, enfim, tudo o que pode afectar a qualidade de vida das populações e que não os implica directamente. Recordo-me de um caso caricato em que um candidato autárquico apresentava um buraco na calçada em frente a uma farmácia como se aquele buraco, que causou alguns transtornos, fosse estruturante para um concelho ou para o país. Aquele buraco simbolizava certamente para ele, o buraco das contas públicas, o BPN, o ataque aos trabalhadores e aos reformados, a politica falhada do medicamento, tamanha era a sua indignação. Dizia que os clientes da farmácia poderiam ali cair e é verdade. O mesmo candidato que andou a distribuir propaganda do seu partido, partido esse que fez cair o orçamento dos clientes da farmácia o que levou a que alguns deixassem de comprar medicamentos. Este candidato, quando confrontado com as minhas afirmações, sorriu e disse-me que a minha retórica não tapava o buraco e que nada tinha que ver com o que seu partido fazia a nível nacional. Hoje, a calçada está arranjada mas os clientes da farmácia têm ainda mais dificuldades em comprar os seus medicamentos e alguns deles confessam-se arrependidos de terem votado no partido do tão atencioso candidato.

Mas vamos ao assunto central. O Complexo Desportivo do União Banheirense. Está quase a fazer anos que o Partido Socialista prometeu auxílio financeiro a este projecto. Estávamos em vésperas de eleições autárquicas. Essas promessas levaram a que o União Banheirense, alguns particulares e as autarquias investissem no campo. Passadas as eleições e algumas centenas de milhar de euros gastos, quer pelas autarquias, quer pela colectividade quer por sócios e amigos e derrotado o Partido Socialista no Concelho da Moita, veio a notícia que a candidatura não iria ser aprovada, que o complexo era megalómano, que por infeliz coincidência passou pelas mãos da candidata derrotada, a agora deputada Euridice Pereira. Essa notícia quase destruiu esta colectividade. Durante anos os banheirenses ficaram atordoados, não acreditavam que um dia o campo tivesse condições para a prática do futebol. Não percebiam como este mesmo Partido Socialista tinha contribuído para a construção de outros campos e estádios, alguns em povoações com apenas 1000 habitantes, um deles na Palestina e que agora, para uma freguesia com mais de 20 000 habitantes, o projecto que se esteve a desenvolver durante anos era megalómano e não merecia apoio.

Foram anos complicados.

Recentemente e com uma nova direcção surgiu a ideia de se retomar o projecto, de se arregaçar as mangas e fazer, ir fazendo. Foram dados passos enormes, desde o convencimento da população ao trabalho em equipa com as colectividades da freguesia até à construção de uma equipa de futebol que mesmo sem condições nos fez orgulhar de ser banheirenses. As autarquias estão a assumir o seu papel, mas como em tudo na vida, com muitas dificuldades. Os banheirenses continuam a acreditar mas aqui ou ali, por tamanha carga histórica, ora um autarca, ora um atleta, ora um director, vão-se abaixo e momentaneamente o projecto perde gás.

São muitos os apelos para esquecermos a história, são muitas as vozes que culpam as autarquias e muito poucos aqueles que responsabilizam o partido do boicote, da pedra na engrenagem. Nesta altura em que nos preparamos para começar a construir os balneários e que escrevo estas linhas, sentimos um enorme desgaste, algumas divisões, mas percebemos que só com o trabalho de muitos o conseguiremos fazer. É pois por isso que escrevo estas linhas, para me vincular novamente a um projecto que aguarda pelo menos 20 anos pela sua conclusão, um projecto desenvolvido num terreno cedido pela Câmara Municipal da Moita, com alteração do projecto suportada pela Junta de Freguesia, com muito trabalho de sócios e directores do União Banheirense e com muito apoio de vários empresários locais e nacionais, um projecto que não está terminado mas que já contou com muito trabalho e com muito dinheiro.

Um projecto que coloca a Baixa da Banheira no mapa do futebol que pode e deve promover o comércio local, o desporto, a saúde e a nossa terra.

Um projecto que não é um buraco e sim uma alavanca. Um projecto que deveria estar concluído mas que vai permitir a construção de outros projectos.

Para este enorme objectivo a colectividade precisa de apoios, precisa que os banheirenses vistam a camisola, precisa de acreditar que é possível. Os atletas actuais merecem, a direcção do União Banheirense também e a freguesia da Baixa da Banheira precisa.

Sem falsos moralismos ou humildades, peço desculpa por algo que tenha corrido menos bem, por todas as palavras mais ásperas, e apresento as minhas desculpas em forma de trabalho e solidariedade. Contem comigo, como sempre contaram.

Nuno Miguel Fialho Cavaco
Presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira

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