Barreiro - «Entre a Voz e o Gesto - Poemas de trabalho e luta»«Aquilo que eu digo é o que de facto sinto», afirma Mário Durval.
“O Mário podia estar a usufruir do descanso, mas não, continua a trabalhar. Trabalhando em várias vertentes e não apenas na sua vida profissional. Agora, com esta vertente de poeta”, sublinhou Ana Teresa Xavier na apresentação do livro de Mário Durval.

Por Jornal Rostos
No auditório do Hospital de N.ª Sr.ª do Rosário, Barreiro, decorreu uma sessão de apresentação do livro de poemas «Entre a Voz e o Gesto - Poemas de trabalho e luta – Volume I», de Mário Durval.
Um olhar sobre o nosso quotidiano e os ensinamentos
Ana Teresa Xavier, Presidente do Conselho de Administração, recordou que Mário Durval, para além da sua actividade profissional o seu desempenho na área da Saúde, no seu livro traduz a sua experiência de vida, um olhar, que também é sobre o nosso quotidiano e os ensinamentos que, todos nós, usufruímos, ao longo dos anos, disse.
“O Mário podia estar a usufruir do descanso, mas não, continua a trabalhar. Trabalhando em várias vertentes e não apenas na sua vida profissional. Agora, com esta vertente de poeta. Por isso, é para nós uma honra recebermos o Doutor Mário, aqui, nesta casa que é a ULSAR, e, sendo o Doutor Mário da Saúde Pública, integra a ULSAR, com muito orgulho nosso”, sublinhou Ana Teresa Xavier,
A obra de Mário Durval é o Mário Durval
António Sousa Pereira, apresentou a obra de Mário Durval, salientando que o seu livro “é acima de tudo a obra de Mário Durval é o Mário Durval, o homem profissional, o homem dos afectos, o homem lutador político, o homem que sente a vida e transmite a vida em palavras.”.
A poesia de Mário Durval transmite a forma como ele sente a vida, os seus poemas abrem a porta ele transmitir como sente e como a vida, com seus sentidos.
Mário Durval, pelo poema vai ao encontro do mundo à sua volta, com uma palavra central na sua vida - o afecto.
“Mário Durval construiu a sua vida em torno da palavra afecto, é o grande promotor da ideia das cidades dos afectos, um promotor da ideia que a saúde de agir para tratar a doença, mas que a saúde começa no prevenir, no fazer cidade e fazer cidadania. Isto está presente no livro de Mário Durval. A sua poesia é a forma como a vida toca no seu coração. Esta é a dimensão estética da poesia”, disse.
Recordou ainda, que “um poeta tem valores e tem princípios, a poesia que ele capta no mundo para dentro de si, que depois traduz em palavras, essa palavras são os seus valores, a sua forma de pensar a vida, palavras que expressam o seu carácter, a sua ética. A poesia sem ética não é poesia, porque tem que ter dentro a forma como sentimos e pensamos o mundo. E isto está no livro de Mário Durval”, sublinhou António Sousa Pereira.
Mário Durval escreve sobre o que viveu ao entrar nas Minas de Aljustrel, o que ele viveu no fazer Saúde Pública, com os seus colegas e a forma como construía as vivências do dia a dia, a forma como pensa a vida política e o mundo. É um livro pragmático, com sentimento e com pensamento.
A poesia é hermenêutica, a poesia é interpretação do mundo, através do sentir e do pensar, o poeta interpreta o mundo. Mário Durval, faz isso com a sua poesia. Procura um sentido para o mundo e para a vida, para o seu trabalho diário, para a sua luta política – “podemos concordar ou discordar dele, ele não impõe o seu pensamento, ele procura dar a sua visão. Faz de cada poema um conceito, a sua interpretação de um instante. A poesia é isto. Mário Durval na sua obra tem lá tudo isto, a beleza da poesia – estética, ética e hermenêutica”.
“Entre a voz e o gesto é um livro, onde está o homem, o seu trabalho, o seu social. A poesia está aqui nesta obra, é a sua vida e a sua vida é o seu poema”, sublinhou.
“Num mundo que cria ódios, banaliza a morte e esquece a palavra amor, este é um livro para descobrir afectos e o amor pela vida”, acrescentou.
Aquilo que eu digo é o que de facto sinto
Mário Durval, após os agradecimentos, salientou que no seu livro, tem poemas escritos desde os 16 anos, este é o primeiro volume que compõe a sua obra poética, “aquilo que eu digo é o que de facto sinto”.
Referiu que o primeiro poema do seu livro, é um olhar para longe, porque devemos ser utópicos, a utopia – “o homem sonha, a obra nasce que há muito tempo Deus deixou de querer”.
Salientou que na sua obra há poemas sobre a sua vida profissional, a forma como olhamos para as organizações, a forma como se constrói cidade, a saúde pública, os sonhos que mudam a vida, a força dos afectos – “juntar afectos e sorrisos”.













