Criação de um espaço de memória na Sé de Setúbal Entre as iniciativas culturais que assinalam centenário do nascimento de Dom Manuel Martins
A criação de um espaço de memória na Sé de Setúbal e um programa de iniciativas culturais assinalam, em 2027, o centenário do nascimento de Dom Manuel Martins, cujas comemorações começaram no sábado com o lançamento de “Faça-se Luz”.

Por Jornal Rostos
“Mais do que celebrar o centenário, queremos contribuir para que o seu legado continue a interpelar as nossas consciências e a inspirar a sociedade em que vivemos”, afirmou o coordenador da obra, António Melo, na apresentação realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
A sessão, promovida pela Fundação Dom Manuel Martins, contou com a participação da vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, e do cardeal D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal.
Uma exposição itinerante, colóquios, jornadas de reflexão, poesia, teatro, música e celebrações religiosas integram o programa anunciado por António Melo, que prevê a colaboração de autarquias, instituições e agentes culturais. “Pretendemos construir um programa transversal, que seja aberto, que seja plural, capaz de chegar a diferentes públicos, gerações e sensibilidades.”
O coordenador destacou que as comemorações procuram transmitir os valores de uma figura cuja intervenção ultrapassou a ação pastoral. “Dom Manuel Martins foi uma voz que não se resignou perante a injustiça, a pobreza ou a exclusão”, sublinhou.
A preocupação de dar a conhecer esse percurso às gerações mais novas foi partilhada por D. Américo Aguiar, que alertou para o risco de se perder a ligação ao primeiro bispo setubalense. “Para muitas das gerações mais recentes, o senhor Dom Manuel Martins já é uma entrada da enciclopédia.”
O cardeal anunciou a intenção de inaugurar um espaço de memória na Sé de Setúbal a 20 de janeiro de 2027, data do centenário do nascimento de Dom Manuel Martins. “Faremos tudo o que está ao nosso alcance para não deixar morrer a memória”, assegurou.
A vice-presidente do município, Maria do Carmo Tiago, destacou a dimensão pública do primeiro bispo de Setúbal, que considerou “uma referência ética e cívica cuja dimensão ultrapassa largamente a comunidade católica”.
A autarca sublinhou a atualidade deste exemplo para quem exerce responsabilidades políticas. “A sua herança recorda-nos que governar é, acima de tudo, cuidar das pessoas”, afirmou, ao defender que o progresso de um território deve traduzir-se na capacidade de acolher, proteger e criar oportunidades.
O livro “Faça-se Luz”, dedicado aos 50 anos da Diocese de Setúbal, nasceu de uma exposição homónima que reuniu mais de 30 artistas, entre pintores, escultores, músicos e fotógrafos.
António Melo descreveu a publicação como “um testemunho histórico, cultural, artístico”, que reúne memória, reflexão e criatividade em torno da criação da diocese e da figura do primeiro bispo.
A obra inclui reproduções e traduções das bulas da criação da diocese e da nomeação de Dom Manuel Martins e do decreto pontifício relativo a Santa Maria da Graça como padroeira, além de imagens de objetos associados ao bispo, como o anel da ordenação e a cruz peitoral.
O presidente da Fundação Dom Manuel Martins, padre Casimiro Henriques, salientou que a publicação prolonga o acesso às obras e aos documentos apresentados na exposição. “O livro permite que essa experiência continue, que as obras sejam revisitadas e que cada leitor encontre nelas novos sentidos.”
Com coordenação de António Melo e prefácio do cardeal D. Américo Aguiar, a publicação reúne textos de António Vilhena, Casimiro Henriques, Daniel Nascimento, Eugénio Fonseca, D. Gilberto Reis, Isabel Melo, monsenhor José Lobato, D. José Ornelas, Luís Ferreira, Rui Mesquita Mendes e Salvador Peres.
A componente artística inclui trabalhos de pintura, escultura e fotografia, com contributos de Eduardo Carqueijeiro, autor da capa, Florival Nogueira, Jorge Pé-Curto e Luísa Perienes, entre outros. A tradução dos documentos em latim é de António Vilhena e a revisão dos textos de Helena Fragoso de Mattos, Isabel Melo e João Reis Ribeiro.
A sessão contou ainda com testemunhos de Isabel Melo e João Reis Ribeiro, a leitura de textos de Dom Manuel Martins e uma homenagem a Eugénio Fonseca, colaborador próximo do bispo. “Seria difícil falar desse percurso, da memória e do legado de Dom Manuel Martins sem prestar uma palavra de reconhecimento”, afirmou António Melo.
Dom Manuel Martins, primeiro bispo da Diocese de Setúbal, criada em 1975, morreu a 24 de setembro de 2017, aos 90 anos.
Fonte - CMS













