Barreiro - Tertúlia Augusto CabritaMaria Lamas - uma mulher grande entre as grandes mulheres do meu país
Ontem à tarde, na Tertúlia Augusto Cabrita, escutei as palavras de Joana Pereira Bastos, jornalista do jornal Expresso e bisneta de Maria Lamas. Foi uma lição de vida e de encontro com a história do meu país.

Por Jornal Rostos
Joana Pereira Bastos proporcionou aos presentes, para além de um encontro com a vida e obra de Maria Lamas, uma viagem por dentro da história dos dias de resistência e luta pela Liberdade.
Neste registo, apenas pretendo salientar como foi enriquecedor ter escutado esta lição de vida. A vida de uma mulher que nasceu nos finais do século XIX, em 1893, e, deixou-nos no ano de 1983, com 90 anos.
Maria Lamas foi dito pelas sua bisneta, foi pioneira na luta pelas causas libertadoras da mulher. Pioneira como jornalista. Uma mulher de espírito critico e integra.
Uma mulher que viveu a sua vida escrita com nervos de aço, com a energia da palavra dignidade e com pleno amor à palavra Liberdade.
Uma mulher cuja história de vida é indissociável da história do meu país. Da resistência. De causas.
Uma mulher que descobriu a forma de vida das mulheres do meu país, nos campos, nas vilas, nas minas.
As melhores fotografias de mulheres do mundo no século XX
Uma mulher que fotografou rostos e deixou um legado de fotografia, que, em França, marcou presença numa exposição, que deu relevo a fotografias de mulheres, destacando aquelas que foram reconhecidas como sendo das melhores fotografias de mulheres do mundo no século XX.
Curiosamente, no concelho do Barreiro, o seu nome está na toponímia barreirense, na rua onde está localizada a Escola Augusto Cabrita. De braço dado dois nomes ligados à fotografia e ao mundo.
Ali a fotografia é, sem dúvida, um abraço solidário de olhares entre o nome da rua e o nome da escola. É lindo.
Ambos viveram amando a vida e seus nomes ensinam que a beleza existe basta descobrir com o click do olhar.
Coloquem sobre a urna a bandeira de Portugal
No decorrer da conversa, perante o percurso de vida de Maria Lamas, perguntei à jornalista do Expresso, se a sua bisavó tinha sido ou não militante do Partido Comunista Português.
Joana Bastos, esclareceu que não tem informação suficiente para responder se sim ou não. Sabe que foi uma mulher que partilhou muito da sua vida com Álvaro Cunhal e também com Mário Soares.
Foi uma resistente, diversas vezes presa e exilada do país por Salazar,
Recordou que, no dia do seu funeral, militantes do PCP quiseram colocar sobre a sua urna, a bandeira do Partido Comunista Português. Álvaro Cunhal expressou a discordância.
“Maria Lamas foi muito maior que o partido. Coloquem sobre a urna a bandeira de Portugal”, disse o líder do PCP.
Foi uma conversa excelente com a jornalista Joana Pereira Bastos. Aprendi sobre a vida, sobre o meu país, sobre amor e amizade. Uma conversa sobre a vida. Uma mulher grande entre as grandes mulheres do meu país.Obrigado, Joana. Obrigado, Tertúlia Augusto Cabrita.
Uma nota final é pena que seja esquecida no país. É pena que Lisboa não a inscreva, por razões estranhas, o seu nome na topinima da cidade.
É pena...é pena...
António Sousa Pereira
Jornalista TE - 180













