1 .º Festival Literário de Azeitão e SetúbalHomenagem a António Lobo Antunes e o debate sobre o futuro da escrita
A homenagem a António Lobo Antunes e o debate sobre o futuro da escrita marcam o 1.º Festival Literário de Azeitão e Setúbal, de 4 a 7 de novembro, com alguns dos autores mais reconhecidos e premiados da literatura portuguesa.

Por Jornal Rostos
Ana Margarida de Carvalho, Rui Cardoso Martins e a investigadora e tradutora Marisa Mourinha participam na homenagem ao Prémio Camões 2007, falecido em março, numa conversa no dia 4, às 19h00, no Cinema Charlot – Auditório Municipal. O tributo inclui poesia, a exibição de “Cartas da Guerra”, de Ivo Ferreira, e uma oficina infantil inspirada em “Memória de Elefante”.
Promovido pela Câmara Municipal de Setúbal sob o tema “Literatura, Memória e Futuro”, o FLAS cruza a memória literária de Azeitão e Setúbal com novas formas de criação e participação, da poesia dita ao podcast. O programa reúne mais de trinta iniciativas distribuídas por dez espaços.
“Não queremos que o festival seja apenas um momento de festa”, afirmou hoje a vice-presidente da autarquia, Maria do Carmo Tiago, na conferência de imprensa de apresentação do novo evento cultural, que pretende criar hábitos de leitura duradouros e aproximar quem escreve de quem lê.
O trabalho de promoção da leitura envolve a Rede de Bibliotecas de Setúbal, Escolares e Públicas, e bibliotecas municipais da Área Metropolitana de Lisboa. A Biblioteca Pública Municipal de Setúbal recebe sessões sobre a formação de leitores, o futuro das bibliotecas e a inteligência artificial na escrita, esta última com David Machado, no dia 6, com participação de profissionais do setor, professores bibliotecários e alunos.
Maria Francisca Gama, Pedro Chagas Freitas e Rita Redshoes encontram-se com o público nos dias 5, 6 e 7, respetivamente, no Mercado do Livro, que decorre no espaço A Gráfica – Centro de Criação Artística, onde são promovem diversas atividades, incluindo sessões de apresentação de obras e de leitura de poesia.
O recinto, com cerca de dois mil livros disponíveis, recebe ainda Pedro Lamares, no dia 7, com “A Poesia é uma Arma Carregada de Futuro”, além de propostas dos Artistas Unidos, de NERVE com Za Gallo e de Pedro Freitas, conhecido como O Poeta da Cidade.
Em Azeitão, a programação valoriza a herança de Sebastião da Gama e Joana Luísa da Gama, com atividades na Casa-Memória e uma visita aos lugares do poeta. A Biblioteca acolhe uma oficina de escrita criativa e mediação leitora com Susana Otão.
O humor aproxima os jovens de Camões em “Camoinz Hépyco-Lyrico”, projeto de Simão Rubim e João Marta, no dia 6, às 14h00, na Biblioteca Pública Municipal de Setúbal. Na conferência de imprensa, Simão Rubim explicou que o espetáculo, dirigido ao 3.º ciclo e ao ensino secundário, nasceu do desafio de tornar o poeta “acessível e fácil de compreender”.
No dia 7, entre as 10h00 e as 12h30, “Arte à Solta”, de Ângela Miranda Penedo, convida o público a colorir desenhos nas montras e nos espaços da Baixa, inspirados em textos literários e em notícias antigas do jornal O Setubalense. “É um encontro inesperado entre a imagem e a literatura”, descreveu a artista.
Estas propostas traduzem a intenção de levar a cultura ao encontro das pessoas, também fora dos equipamentos culturais, e de transformar os leitores em participantes através de oficinas, conversas, sessões de microfone aberto e intervenções na rua.
Os autores locais estão em destaque na Tarde de Leitores, no dia 5, na Casa da Cultura, que recebe também “Cartografia Poética da Cidade”, exposição resultante de um laboratório de fotografia e literatura.
“A intenção é que, obviamente, este projeto tenha continuidade por muitos e bons anos”, afirmou a vice-presidente Maria do Carmo Tiago, que enquadrou o FLAS na candidatura de Setúbal a Capital Portuguesa da Cultura 2028.
A autarca destacou a programação cultural de Setúbal, “reconhecida dentro e fora do concelho”, em áreas como a música, o teatro, o cinema, a dança, as tradições e o património e o FLAS acrescenta a literatura a esse percurso, “com a missão de ficar e de criar raízes”.
A vice-presidente classificou o festival como “uma escolha política”, alinhada com a estratégia cultural do município. “Investir na cultura é investir nas pessoas, no território e no futuro do concelho. É apostar no conhecimento, na coesão, na identidade, na atratividade e na qualidade de vida.”
As iniciativas do novo evento cultural são todas de acesso gratuito, embora algumas exijam inscrição ou estejam sujeitas à lotação dos espaços.
Na conferência de imprensa esteve também presente o presidente da Junta de Freguesia de Azeitão, Tiago Cardoso, além de representantes de diversas instituições













