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Quotidianos

Por Jaime GonçalvesA Habitação é um Hangar para o Resto
Barreiro

Se no mundo da aviação um hangar serve para guardar todo o tipo de aeronaves, peças sobresselentes e ferramentas de manutenção, no circo da política de rua da extrema-esquerda o direito à habitação tornou-se exatamente isso: um enorme armazém de conveniência onde se arruma toda e qualquer causa, por mais desligada da realidade concreta que ela seja.

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Por Jaime Gonçalves A Habitação é um Hangar para o Resto Barreiro

Por Jornal Rostos

Quem passeie pelas acampadas do Rossio com a expetativa ingénua de encontrar um debate focado sobre licenças de construção, taxa de esforço das famílias ou escassez de oferta imobiliária em Portugal, rapidamente percebe que se enganou na porta. A habitação não é o fim do protesto; é apenas a fachada de grande dimensão, a lona do circo sob a qual se vende o catálogo completo da ideologia de fação.
O Bazar Geopolítico no Rossio
O espetáculo no centro de Lisboa expõe na perfeição a geometria variável da indignação:
A bandeira de eleição: A causa da habitação em Lisboa surge miraculosamente atrelada ao Médio Oriente. A bandeira da Palestina desfralda-se sobre as tendas como se o valor por metro quadrado no Beato dependesse diretamente do conflito na região.
Os esquecidos do costume: Procura-se em vão uma bandeira da Ucrânia — cuja população sofre diariamente a invasão imperialista do regime russo — ou uma faixa a denunciar a catástrofe humanitária na Somália ou no Sudão. Contudo, esses dramas reais não servem para o hangar. A Ucrânia estraga a narrativa anti-Ocidente; a Somália não gera hashtags nem atrai a atenção das elites académicas da moda.
A portaria ideológica: Embora se proclame que a habitação é um "direito de todos", o hangar só aceita material devidamente homologado pela extrema-esquerda. Qualquer cidadão comum ou moderado que deseje protestar contra a subida das rendas, mas recuse o pacote completo da doutrinação militante, é olhado com desconfiança e polidamente empurrado para fora do recinto.
O Grande Hangar da Hipocrisia
A verdadeira dimensão desta fraude revela-se na cronologia. Durante oito anos inteiros, a extrema-esquerda esteve comodamente sentada nas cadeiras do poder em Portugal, viabilizando e segurando as opções de governo de António Costa.
Durante quase uma década:
As rendas escalaram para valores estratosféricos;
A burocracia congelou o investimento no mercado imobiliário;
A habitação pública permaneceu residual e incapaz de responder às necessidades das famílias.


E onde estavam as tendas do Rossio nessa altura? Onde estavam os megafones e a indignação moral? Guardados a sete chaves no hangar do cálculo político, para não estragar os acordos parlamentares nem perturbar a estabilidade das coligações de conveniência.
Hoje, subitamente desprovidos das mordomias da governação, abriram novamente as portas do hangar. Voltam a usar o drama real de milhares de portugueses que não conseguem pagar uma casa como mera munição de arremesso políticos-partidária, misturando-a com sectarismo ideológico e causas externas criteriosamente selecionadas.
Transformar o desespero de quem procura um tecto num depósito para todo o resto da agenda de extrema-esquerda não é lutar por direitos sociais — é apenas a demonstração prática de uma profunda fraude política.


Jaime Gonçalves

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