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Cáritas Diocesana de Setúbal celebra 50 anosUma Igreja comprometida com a justiça e com a dignidade humana

A Cáritas Diocesana de Setúbal viveu hoje um dia de festa com a celebração dos seus 50 anos de existência. O Cardeal D. Américo Aguiar esteve presente e presidiu a eucaristia de Ação de Graças que decorreu na Sé de Setúbal.

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Cáritas Diocesana de Setúbal celebra 50 anos Uma Igreja comprometida com a justiça e com a dignidade humana

Por Jornal Rostos

Após a eucaristia, teve lugar uma cerimónia evocativa dos 50 anos no Fórum Municipal Luisa Todi, com a presença do Bispo de Setúbal, da presidente da câmara de Setúbal em exercício, a presidente da Câmara Municipal de Palmela e outros autarcas e responsáveis de entidades. 


Na década 1980 marcada pelos salários em atraso Cáritas Setúbal soube estar presente


O Presidente da República não pôde estar presente, mas fez questão de se associar à data enviando uma mensagem escrita, na qual salienta "nos momentos particularmente complexos vividos nesta região durante a década de 1980, marcados pelo desemprego, pelos salários em atraso e pelo agravamento das necessidades sociais, a Cáritas de Setúbal soube estar presente."


Criada em 1976 por D. Manuel Martins para responder a um contexto difícil


O Presidente da República, recordou que "a Cáritas de Setúbal nasceu da vontade de tornar presente a ação social da Igreja junto das comunidades desta Diocese. Criada em 1976 por D. Manuel Martins, então Bispo de Setúbal, procurou, desde o início, responder a um contexto difícil. Assumiu a missão de acompanhar uma extensa área territorial e fazer face a necessidades de apoio crescentes, através do conhecimento próximo de cada realidade e da presença junto de quem enfrenta maiores dificuldades."


Recordar Eugénio Fonseca no seu combate à pobreza e defesa da dignidade humana


"É também justo recordar, neste momento, o Professor Eugénio Fonseca. Durante décadas, colocou a sua experiência, a sua convicção e a sua humanidade ao serviço do próximo, através do combate à pobreza, da defesa da dignidade humana e da valorização da solidariedade como responsabilidade de toda a comunidade.", sublinhou o Presidente da República.

"Os desafios presentes e futuros exigem perseverança, capacidade de escuta e renovada disponibilidade para servir. Formulo, por isso, votos de que a Cáritas Diocesana de Setúbal possa prosseguir a sua missão, permanecer próxima de quem mais necessita e contribuir para comunidades mais solidárias, inclusivas e atentas à dignidade de todos.", acrecentou António José Seguro.


Uma Igreja comprometida com a justiça e com a dignidade humana


Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, referiu que este é “um dia de gratidão. Gratidão a Deus e a tantas mulheres e homens que ao longo deste meio século fizeram da caridade uma forma de viver, de servir e de testemunhar Jesus Cristo. As leituras que escutámos ajudam-nos a compreender o sentido desta celebração”

“Celebrar 50 anos é também fazer memória agradecida. Em primeiro lugar, do nosso primeiro bispo, D. Manuel Martins, pastor de coração inquieto, de palavra corajosa e de proximidade verdadeira. Compreendeu que não era possível anunciar o Evangelho nesta terra sem escutar o sofrimento das suas gentes. A Cáritas Diocesana nasceu também desta sua visão de uma Igreja próxima, comprometida com a justiça e com a dignidade humana. Honrar D. Manuel Martins é continuar a sua missão.”, disse o Cardeal D. Américo Aguiar


Uma vida dedicada à dignidade dos mais pobres


“E hoje recordamos com particular emoção e saudade o professor Eugénio Fonseca, recentemente falecido, que durante tantos anos foi rosto e coração da Cáritas Diocesana de Setúbal. Deixou-nos o testemunho de uma vida dedicada à dignidade dos mais pobres, lembrando-nos que a caridade não pode reduzir-se à assistência, mas deve também promover a justiça, a autonomia e a esperança. D. Manuel Martins e Eugénio Fonseca, duas vidas diferentes, mas uma mesma paixão, Jesus Cristo e os mais pobres”, afirmou o Bispo de Setúbal.


Vamos ter um problema muitíssimo grave dentro de poucos anos


“50 anos não são um ponto de chegada, são uma responsabilidade acrescida, porque a pobreza continua a ter muitos rostos, famílias que trabalham e não conseguem viver com dignidade, idosos sozinhos e cada vez mais sozinhos. Nestas visitas pastorais vou descobrindo que vamos ter um problema muitíssimo grave dentro de poucos anos. Não há respostas para os seniores, não há lares, não há ERPIS, sejam lá as nomenclaturas doidas que existem, não há.”, disse o Cardeal D. Américo Aguiar.

“A esperança de vida que deve ser uma coisa positiva passou a ser um problema. Não morrem, que é uma grande chatice. Não morrem, os velhos não morrem. E é uma chatice, porque não há respostas, não há soluções. E nós vamos visitando o território e vamos vendo que é uma situação cada vez mais grave, e não há capacidade de resposta a médio e longo prazo, não há.

E somos surpreendidos, muitas vezes, demasiadas vezes, com notícias de idosos mortos em sua casa há muitos dias.”, disse.


A Cáritas é de toda a diocese de Setúbal


“A indiferença de quem vê e não olha, de quem conhece o sofrimento e passa adiante. O Evangelho de hoje recorda-nos que Jesus não nos pergunta apenas pelo mal que fizemos, mas também pelo bem que deixámos fazer. É neste contexto que quero reafirmar uma convicção e um compromisso pastoral. A Cáritas Diocesana é, e deverá ser sempre, o braço da caridade do Bispo. Esta é a sua identidade e a sua missão. Não deve ser entendida como mais uma IPSS, nem existir numa lógica de concorrência com as demais, sejam IPSS, com identidade canónica, sejam outras, cujo trabalho tanto valorizamos e agradecemos. A Cáritas Diocesana não é mais uma IPSS que faz coisas, é o braço da caridade do bispo, de cada bispo.”, sublinhou o Bispo de Setúbal.

“A Cáritas não existe para competir, duplicar respostas ou disputar protagonismos. Existe para animar, congregar, articular e promover a caridade em toda a diocese. A Cáritas não é do município, da cidade, da jurisdição de Setúbal. É de toda a diocese de Setúbal.”, disse.


Queremos uma Cáritas que crie pontes


“A Caridade não é um território que se ocupa nem um protagonismo que se disputa, é uma missão que se partilha. Queremos uma Cáritas que crie pontes, desperte consciências, promova a colaboração e ajude toda a Igreja diocesana a estar mais próxima de quem sofre. Porque a caridade não pode ser delegada apenas em alguns. É a responsabilidade de todos nós, também minha, como Bispo de Setúbal.”, salientou o Bispo de Setúbal.


A memória de D. Manuel Martins e de Eugénio Fonseca continuem a inspirar-nos


“Querida família da Cáritas Diocesana de Setúbal, obrigado por estes 50 anos. Que a memória de D. Manuel Martins e de Eugénio Fonseca continuem a inspirar-nos. Que o testemunho de tantos que nos precederam nos dê coragem para continuar a servir com humildade, alegria e fidelidade ao Evangelho. E que um dia possamos todos escutar do próprio Jesus aquelas palavras que dão sentido a tudo: Tive fome e deste-me de comer. Tive sede e deste-me de beber. Era estrangeiro e acolheste-me. Cinquenta anos depois, a missão continua. Porque o amor não se reforma, a esperança não desiste e a caridade não pode esperar.”, salientou a finalizar o Bispo de Setúbal.

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