Salão Nobre da Capitania de Vila Real de Santo AntónioTransborda para apresentação do novo livro de Fernando Pessanha
No âmbito dos 250 anos das festividades da fundação de Vila Real de Santo António, a Câmara Municipal desta cidade fronteiriça assinalou o Dia do Exército (24 de Outubro), com o lançamento de O “Inteligente, pratico, activo e zeloso dos interesses de S. Magde” Francisco de Mendonça Pessanha Mascarenhas, 1º governador da “Nova Vila de Santo António de Arenilha” / Vila Real de Santo António, da autoria do historiador Fernando Pessanha.

Por Jornal Rostos
A sessão de lançamento, que teve lugar na capitania do porto de VRSA, verificou lotação esgotada ainda antes do início da cerimónia, transbordando a lotação máxima da sala para o átrio da capitania.
Foi, portanto, perante um salão nobre repleto, em que marcaram presença várias individualidades da comunidade científico-académica, como a do vice-reitor da Universidade do Algarve, António Fragoso de Almeida, ou o docente de arqueologia da Universidade de Sevilha, Pedro Albuquerque, que Filipe Santos deu início à cerimónia com um momento de guitarra portuguesa. Após o momento musical, o 1º tenente Domingos, adjunto do capitão do porto, deu as boas vindas do público às supramencionadas instalações da Marinha Portuguesa, tendo o vereador do património material e imaterial, Fernando Horta, tomado depois da palavra, destacando a importância desta iniciativa para a identidade histórica, cultural e patrimonial de Vila Real de Santo António.
Durante 45 minutos, Fernando Pessanha, técnico superior da C. M. de VRSA e também investigador da Universidade Nova de Lisboa e da Academia de Marinha, conduziu a apresentação da obra, que conta com prefácio do historiador António Ventura, catedrático emérito da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em traços gerais, 45 minutos de aula sobre a história do extremo sudeste algarvio entre a Guerra Fantástica de 1762 e a Grande Batalha do Guadiana de 1801, tendo como mote a acção do oficial de infantaria Pessanha Mascarenhas, governador do termo de Santo António de Arenilha e, posteriormente, 1º governador da nova vila pombalina. Foi, portanto, munido de um considerável corpus documental (fontes epistolográficas e cartográficas), que o historiador contestou a ideia generalizada da inexistência de ocupação humana e estruturas organizativas na Santo António de Arenilha onde se veio a construir, a partir de 1774, a nova vila pombalina, conhecida a partir de 1775 como Vila Real de Santo António. Por outras palavras, a ideia de uma continuidade efectiva e documentalmente incontestável, que remonta à fundação da vila original /sede de concelho, em 1513, ainda que com uma evidente mudança de paradigma político/organizativo, reflectida na arquitectura e no urbanismo iluminista do séc. XVIII.
Por fim, o presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, Álvaro Palma de Araújo, felicitou o historiador vila-realense por todo o trabalho desenvolvido a nível da investigação, manifestando o seu regozijo ao verificar a massa humana que se deslocou às instalações da Marinha, no Dia do Exército, para ser esclarecida sobre a história do extremo sudeste algarvio.













