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BARREIRO – Rosto do ano 2025«A escola tem que se abrir à comunidade»
afirma Helena Sardinha Pereira, na área Educação

«Se a inteligência artificial for bem usada ao serviço do conhecimento é perfeito, o problema é a inteligência artificial substituir-se à inteligência de cada um e não permitir que os nossos jovens sejam bons pensadores, que reflictam sobre as coisas», afirma Helena Sardinha Pereira.

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BARREIRO – Rosto do ano 2025 «A escola tem que se abrir à comunidade» afirma Helena Sardinha Pereira, na área Educação

Por Jornal Rostos

Helena Pereira, nasceu no Barreiro a 24 de abril de 1967, aqui cresceu aqui vive e trabalha.
Desde cedo sentiu a sua vocação para ensinar e comunicar, criando histórias, pequenos guiões e espetáculos que cruzavam narrativa, teatro e música — uma inclinação que mais tarde se consolidou na escolha da docência. É professora de História, na Escola Secundária de Casquilhos. A Câmara Municipal do Barreiro atribuiu-lhe o galardão de Barreiro Reconhecido. Foi distinguida a nível nacional com a Menção Honrosa Acesso à Cultura no Global Teacher Prize Portugal 2024.

Rostos do Ano - inspiração para a comunidade

Que significado atribui receber a distinção Rostos do Ano na área da Educação?
«Começo por dizer que, o trabalho do Rostos é um trabalho importantíssimo, a todos os níveis, porque com esta iniciativa faz um levantamento de pessoas que se destacaram. Por exemplo, estou a fazer a biografia o meu pai e fui buscar coisas ao Rostos. Considero que o trabalho do Rostos é fundamental, numa terra como o Barreiro, para reconhecer o trabalho e o mérito e não deixar esquecer o trabalho que as pessoas desenvolveram. Eu não sou única na Educação, mas, o Rostos faz questão de destacar todos os anos uma figura. Isso é muito importante para, no fundo, não deixar cair no esquecimento, e, mais do que isso, inspirar outras pessoas que têm um bom trabalho, e, por vezes, estão esmorecidas ou desmotivadas, as quais, com um reconhecimento recebem um alento, que dá mais visibilidade ao seu trabalho e ganham mais vontade de trabalhar. O jornal Rostos, ao fazer esta cerimónia e divulgar o trabalho das pessoas que, ali, vão estar presentes, é muito importante como inspiração para a comunidade»

Inteligência artificial usada ao serviço do conhecimento é perfeito

Sendo distinguida na área da Educação, como sente este mundo da educação no Barreiro?
«É um enorme desafio. Todos os tempos, todas as épocas têm os seus desafios. Tenho discutido muito, sobre isto, com os meus alunos. Não é de agora que aparecem os desafios. Os desafios são sempre diferentes. Mas, agora, temos um desafio enorme, porque, hoje, temos a inteligência artificial, estamos com o mundo digital. Há sempre muitas solicitações, os jovens confrontam-se com muitas coisas, e, a educação tem de lidar com este novo mundo, não perdendo de vista aquilo que, efectivamente, importa a aprendizagem e o conhecimento. Isso é fundamental. Se a inteligência artificial for bem usada ao serviço do conhecimento é perfeito. O problema é a inteligência artificial substituir-se à inteligência de cada um e não permitir que os nossos jovens sejam bons pensadores, que reflictam sobre as coisas. Depois, temos outro problema, vivemos num mundo muito apressado, com um ritmo muito acelerado. A reflexão exige tempo lento. A leitura exige tempo lento, exige paciência. Hoje, as pessoas querem tudo rápido. Não é só o fast food, querem tudo rápido, atingir resultados. Não têm paciência para trabalhar, visando atingir esses resultados.”

Educação passa por um trabalho que envolva a comunidade.

Que pode a escola fazer perante esse cenário?
“A educação é um trabalho de equipa, é o trabalho com o jornalista, é o trabalho com o autarca, é o trabalho com as entidades e associações, com a biblioteca, com a comunidade, com Universidade Sénior. A educação é um trabalho com todos, devemos estar articulados, sincronizados, para desenvolver um trabalho que seja um trabalho em conjunto. Um trabalho que dê significado ao conhecimento. Este é um trabalho que não deve ficar fechado na escola. A escola tem que se abrir à comunidade. É por isso que valorizo projectos, como o Colóquio dos Jovens Filósofos, o Barreiro em Curtas. Os alunos trabalham com a comunidade e pensam a terra onde vivem. Os alunos devem ligar-se à terra, devem conhecer a terra e as pessoas da terra. Uma pessoa que não conhece a terra e não conhece as pessoas da terra, não valoriza a história, não valoriza a história local. A educação passa por isso, por um trabalho de equipa e um trabalho que envolva a comunidade.
Há um provérbio africano, que gosto muito: É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança. Isto, para mim, é educação, são precisos todos»

Ser professora é ter entusiasmo

Que significou, na sua vida, ser professora?
«Ser professora para mim, antes de mais, é saber que o professor tem que se valorizar, ao longo da vida, enquanto pessoa. Eu levo a minha vida a ler. Quando estou a ler estou a trabalhar. Quando vou ao cinema estou a trabalhar. Ser professor passa por esse trabalho de enriquecer enquanto pessoa. Considero, isso, fundamental para o meu trabalho de professora. Ele será melhor, quanto mais rico, quanto mais experiências, quanto mais viagens. Eu, por exemplo, falo das minhas viagens aos meus alunos. Eles adoram. É diferente falar na primeira pessoa, eu vi isto, eu li, eu vi, eu presenciei, não é só dizer, é desenvolver a curiosidade aos alunos. Isso, começa por eu ser curiosa de conhecimento. Ser professora é ter entusiasmo, é gostar de aprender, é ser curiosa, é procurar o conhecimento. Ser professora é uma procura, é uma busca permanente de conhecimento».

Cerimónia de Entrega das distinções Rosto do Ano

Pelo seu trabalho na área de Educação, nomeadamente pelo projecto Barreiro em Curtas, que liga a escola à comunidade e suas memórias, Helena Sardinha Pereira, recebe a distinção Rosto do Ano 2025, na área Educação.
A Cerimónia de Entrega das distinções Rosto do Ano, vai decorrer numa sala dos Cinemas Castello Lopes, no Barra Shopping, no próximo dia 27 de Setembro, pelas 10h30, sendo integrada no programa de comemorações dos 25 anos do jornal Rostos.

António Sousa Pereira
T- 180
Fotografia - Marta Sousa Pereira

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