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BARREIRO – Rosto do ano 2025 AssociativismoBarreirenses não percam o sentido do que é o associativismo
afirma Luis Fortes, do Clube Naval Barreirense

«Antigamente o clube era muito subsídio dependente, hoje, vivemos mais com um sentido de sobrevivência que seja mais autossubsistente. É esse caminho que estamos a percorrer.», sublinha Luis Fortes, Presidente da Direcção do Clube Naval Barreirense

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BARREIRO – Rosto do ano 2025 Associativismo Barreirenses não percam o sentido do que é o associativismo afirma Luis Fortes, do Clube Naval Barreirense

Por Jornal Rostos

O Clube Naval Barreirense, foi fundado a 3 de maio de 1925, entrou para o quadro de honra das associações centenárias do concelho do Barreiro.
O clube surgiu com o propósito de promover atividades náuticas e recreativas, tornando-se rapidamente, no Barreiro, uma referência no desenvolvimento dos desportos ligados ao rio.
Ao longo das décadas o Clube Naval Barreirense afirmou-se como um verdadeiro motor do associativismo local, promovendo eventos culturais e sociais, formando atletas, conquistando títulos nacionais, sobretudo na modalidade de remo.
As instalações estão localizadas na Praia da Bela Vista, um espaço que continua a ser o coração do clube.
A identidade do Clube Naval Barreirense é indissociável da sua identidade ribeirinha, hoje, como no passado, gerações de barreirense continuam a encontrar no clube um espaço de pertença, de formação, de fruição de actividades náuticas de do Rio Tejo.

Um reconhecimento do serviço que prestamos

Luis Fortes, Presidente da Direcção do Clube Naval Barreirense, sublinhou o significado que tem receber a distinção Rosto do Ano?
«Para nós tem o significado de uma homenagem grande, um reconhecimento do serviço que prestamos, neste momento, a atingir os 102 anos.
É uma distinção que consideramos reconhece tudo o que fomos para trás na sociedade do Barreiro, e, neste momento, para aquilo que nós continuamos a realizar como clube, em prol da sociedade, para os jovens e para os mais velhos»

Como sentem a vida associativa, nos dias de hoje, no concelho do Barreiro?«Está numa situação muito complicada. Sabe, o associativismo, hoje em dia, os clubes não são tão procurados como eram atigamente, para a leitura, a televisão, os jogos.
Hoje, o associativismo é o desporto, é o convívio nas actividades do clube ( nós por exemplo juntamos pessoas com a secção de pesca). No desporto, juntamos crianças, jovens e os pais. Mas, aquela dimensão de viver o clube e com ligação à sociedade no fruir das instalações, as pessoas não participam, porque a sociedade mudou. Lá vai o tempo que as sedes dos clubes estavam sempre cheias e eram espaços de vida social. Era assim no Luso, no Barreirense, havia convívio e encontro de jovens com pessoas mais velhas. Hoje é diferente.»

O associativismo trouxe-me valores

Qual o significado que o associativismo tem na sua vida pessoal?
«Para mim, o associativismo trouxe-me valores. Vim para o Clube Naval, como atleta, depois de ter estado na Quimigal, no Fabril, vim para aqui, no remo, um clube onde encontrei uma casa onde era tudo mais próximo, entre dirigentes e atletas. O presidente era o Senhor Augusto Durand, fui atleta, seccionista, nunca quis pertencer à Direcção. Mais tarde, entrei para direcção, e, desde aí, tenho estado sempre ligado à direcção do clube.»

Se não olharmos para este Barreiro ficamos para trás

Essa sua experiência de vida associativa, de atleta a dirigente, que visão lhe proporciona sobre o futuro do associativismo?
«Nós, no associativismo, hoje em dia, temos que abrir o nosso horizonte. Temos que ter mais para oferecer. O que antigamente era suficiente, que era um espaço, hoje, é tudo mais complicado. A sociedade está muito alterada. Por vezes, nem se respeita os bens dos outros. Por isso, nós devemos criar espaços atractivos, onde os associados se sintam confortáveis a conviver, com condições. Nos dias de hoje, a situação física, o aspecto da casa conta muito, o que nos rodeia conta muito. E, é um espaço que os associados reconhecem com segurança, onde depositam os seus bens e ficam descansados.
Sim, nós temos das melhores vistas do Barreiro para o Rio Tejo, mas, se não acompanharmos a sociedade, se não olharmos para este Barreiro que está a crescer, ficamos para trás, e, deixamos de existir».

Temos projectos inseridos na sociedade

Como define o Clube Naval Barreirense na actualidade?
«Defino o clube como uma casa em mudança, uma casa que está a acompanhar a evolução do Barreiro, com ideias assentes e construídas em pilares. Não é o vamos fazer qualquer coisa assim, é um projecto definido. Temos etapas. Umas serão concluídas. Outras vamos fazer. Temos projectos inseridos na sociedade. Por exemplo, com o Comité Olímpico, temos projectos de desenvolvimento do remo com crianças- O Remo vai às escolas. Esta é a nossa modalidade desportiva principal. O futuro será as escolas veem ao remo. Em parceria com a Câmara Municipal do Barreiro, no âmbito do PRR, desenvolvemos também - o Remo vais às escolas, em diversas escolas do concelho. O projecto terminou o ano passado. O projecto teve muita aceitação. Nós estamos inseridos na vida do Barreiro, isso é muito positivo, porque faz do clube, um clube existente. Se não participarmos deixamos de ser conhecidos.

Não percam o sentido do que é o associativismo

Que mensagem como associativista quer deixar aos barreirenses?
«Que não percam o sentido do que é o associativismo, para participarem. Que apareçam na vida associativa, que conheçam os clubes, desconhecem as suas actividades, alguns, por exemplo, até pensam que nós já não existimos. Porquê? Porque há outras coisas novas. As pessoas deixaram de vir à ponta. Um ponta que está esquecida no Barreiro. Parece que está abandonada, mas não está.
No Bico, falou-se da onda maravilha. A onda passa lá todos os dias, e a coisa não continuou…
O Clube Naval Barreirense reestruturou-se, por isso, gostava que as pessoas viessem, que reconhecessem os esforços que estamos a fazer. Hoje, os apoios ao clube, não são a mesma coisa que era antigamente. Antigamente o clube era muito subsídio dependente, hoje, vivemos mais com um sentido de sobrevivência que seja mais autossubsistente. É esse caminho que estamos a percorrer.»

Espaços diferentes destinados a pessoas com interesses diferentes

Luis Fortes, Presidente da Direcção do Clube Naval Barreirense, findou a nossa conversa, com o entusiasmo de projectos que o clube tem em marcha, que marcar o futuro.
«Queremos estruturar o nosso espaço, com diversas obras, na zona da caixa de areia, por exemplo, vamos dinamizar uma zona verde, uma área de lazer para os associados, um espaço para conviver, localizado numa das mais belas paisagens naturais sobre o Rio Tejo e Lisboa ( a Praia da Bela Vista). A sociedade, nos dias de hoje, não proporciona espaços desta natureza, queremos proporcionar um espaço que motive as pessoas a sair de casa.
Queremos de novo abrir o Café, está em marcha um projecto, vai abrir em breve, lá para o mês de Janeiro. Está tudo tratado com a APL. Este é um projecto que vai contribuir para uma nova imagem.
Estamos a dinamizar as obras do hangar, vamos realizar um espaço aberto – open space – virado ao mar, todo em vidro. Esperamos que estas mudanças atraiam mais pessoas para o desporto e para o lazer.
Vamos criar espaços diferentes, destinados a pessoas com interesses diferentes. É isso que nós pretendemos.»

Cerimónia de Entrega das distinções Rosto do Ano

O ano 2025 foi o culminar de uma história centenária, uma efeméride de ouro, prestando o reconhecimento à dedicação de muitas gerações que serviram o Barreiro, merecidamente Clube Naval Barreirense, recebe a distinção Rosto do Ano 2025 na área do Associativismo.
A Cerimónia de Entrega das distinções Rosto do Ano, vai decorrer numa sala dos Cinemas Castello Lopes, no Barra Shopping, no próximo dia 27 de Setembro, pelas 10h30, sendo integrada no programa de comemorações dos 25 anos do jornal Rostos.

António Sousa Pereira
T- 180
Fotografia - Marta Sousa Pereira

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